O presente artigo aborda a importância da matemática no
processo de alfabetização, bem como sua utilização, além da aprendizagem dos
números, como recurso metodológico para se ensinar a ler e escrever. Tal
importância se fundamenta na concepção de que a aprendizagem da
língua Materna e linguagem Matemática se entrelaçam nesse processo, pois ambas,
estão presentes em qualquer área do conhecimento. Aborda ainda, a associação da
matemática com a literatura infantil, pois a sua junção possibilita criação de
situações em sala de aula que estimula a compreensão dos alunos, além de
proporcionar a familiarização com a linguagem matemática contida nos textos de
literatura infantil que favorece ao aluno a capacidade de estabelecer relações
cognitivas entre a linguagem materna, conceitos da vida real e a linguagem da
matemática formal.
Com a diversidade de informações que cercam as pessoas,
fornecidas por meios de comunicação como a televisão, jornais, revistas, e,
principalmente, a Internet, é preciso que o indivíduo se prepare para
compreendê-las e interpretá-las e adquira mecanismos que o ajudem a lidar com
as novas tecnologias como: coletar, organizar, comunicar e interpretar dados
utilizando diversos tipos de registros, tais como gráficos e tabelas.
Diante de tal realidade, a matemática é objeto de estudo de
vários autores que enfatizam a sua aplicação como sendo um aliado na formação
do cidadão, o que podemos constatar em Barbosa (2010) quando diz que a educação
matemática contribui para a construção da cidadania e para a inserção do
individuo no mundo do trabalho e nas relações sociais e culturais que exigem um
maior conhecimento associado às novas tecnologias.
Nesse turbilhão de informações ler e escrever não é o bastante,
é necessário ir além. Diante desse cenário, a matemática, que permeia nosso
cotidiano, foi criada há muitos anos atrás para atender as necessidades do
homem e ao longo dos anos vem se desenvolvendo de acordo com as mudanças que
ocorrem na sociedade, passando assim, a contribuir significativamente na
interpretação das informações, tornando-se tão essencial quanto a leitura e a
escrita.
Partindo dessa premissa, é importante destacar que a matemática
é um aliado no processo de alfabetização, cooperando nesse processo de
comunicação e no desenvolvimento das múltiplas linguagens. Assim como a
criança, desde muito pequena, está rodeada de informações, sejam elas escritas,
visuais, artísticas, ela também elabora noções matemáticas a partir de suas
atividades cotidianas fora e/ou dentro da escola: nos deslocamentos, em
coleções de objetos, na observação do calendário, em jogos, na manipulação com
o dinheiro, observações de gráficos e tabelas em materiais diversos, etc.
Contudo, não é necessário aprender
primeiro as letras para depois aprender os números, ideia essa evidenciada por
Silva e Souza (2009) que colocam que pelo fato da Matemática ser uma ciência
viva ela é capaz de criar seus próprios símbolos e signos. Também por possuir
uma linguagem própria, a Linguagem Matemática pode ser permeada pela escrita,
leitura e oralidade.
Em seus estudos os autores fazem
distinção entre alfabetização e alfabetização matemática, onde a primeira
refere-se ao processo pelo qual se adquire o código da escrita e a outra se
refere ao processo em que se adquirem os códigos matemáticos, ficando
evidenciado que a aprendizagem da matemática com a alfabetização na língua
materna não ocorrem linearmente.
Segundo Barbosa (2010) é preciso
integrar outros conhecimentos adquiridos à matemática, não bastando fazer uso
apenas do conhecimento matemático para atingir um objetivo ou resultado. Através
do desenvolvimento do raciocínio lógico, de estratégias e hipóteses, o ser
humano conseguirá resolver problemas nas atividades inerentes à vida diária.
Neste sentido, o presente artigo
procurou demonstrar a importância da matemática no processo de alfabetização,
utilizando a literatura infantil como parceira para se aprender a ler, escrever
e aprender matemática.
Para a escrita do referido artigo utilizou-se a pesquisa
bibliográfica, onde foram consultadas literaturas atuais, artigos e revistas
que forneceram subsídios para a escrita sua escrita.
BREVE RELATO SOBRE
O SURGIMENTO DA MATEMÁTICA
Alguns dos primeiros registros da Matemática, como conhecemos,
segundo Duarte (2010), originaram-se no Egito, quando os povos começaram a
estabelecer-se na região, deixando de ser nômades, por volta de 6.000 a.C. Com
o crescimento das sociedades, surge a necessidade de administração de terras, o
que traz implicitamente necessidades como controle de áreas, de produção, de
colheita, de impostos, e para isso, princípios de contagem e medições.
De acordo com Oliveira,(s.d.), utilizavam para efetuar os
cálculos, em suas construções, pedras, nós ou riscos em um osso, pois o número
concreto não era nada prático. Para atender as necessidades imediatas os
estudiosos do Antigo Egito passaram a representar a quantidade de objetos de
uma coleção através de desenhos – os símbolos. A criação dos símbolos foi um
passo muito importante para o desenvolvimento da Matemática. Como consequência
desse desenvolvimento, surgiu a escrita. Era o fim da Pré-História e o começo
da História.
Duarte (2010), diz que outro povo que
também desenvolveu consideravelmente a Matemática foi os babilônios. Uma das
especialidades desse povo era a de comparação entre medidas. Comparavam, por
exemplo, pesos de diversos objetos a fim de descobrir o peso de um objeto
específico, ou seja, lidavam indiretamente com a noção de equação algébrica que
temos atualmente.
Oliveira (s.d) coloca ainda, que os
babilônios e os egípcios já tinham uma álgebra e uma geometria, mas somente o
que bastasse para as suas necessidades práticas, e não de uma ciência
organizada. Apesar de todo material algébrico que possuíam, a matemática só foi
encarada como ciência, no sentido moderno da palavra, a partir dos séculos VI e
V A.C., na Grécia.
O autor relata ainda, que foram os gregos que a fizeram uma
ciência propriamente dita sem a preocupação de suas aplicações práticas. Se
destacaram na geometria, culminando com a obra de Euclides, intitulada "Os
Elementos". Sucedendo Euclides, Arquimedes desenvolve a geometria e
Apolônio de Perga, contemporâneo de Arquimedes, dá início aos estudos das
denominadas curvas cônicas: a elipse, a parábola, e a hipérbole..
Porém, conforme Duarte (2010), após o
declínio da Grécia antiga, a Matemática estagnou-se no Ocidente, havendo
progresso na Matemática oriental. O sistema numérico chinês era simples, porém
já com indícios do que usamos atualmente para contar, ou seja, já era
posicional decimal, facilitando os cálculos. Não possuíam símbolo para o número
zero, mas mesmo sem o zero, fizeram avanços consideráveis em Matemática.
Todavia, Oliveira (s.d) coloca que
foi em Roma que se desenvolveu e aperfeiçoou o número concreto. Eles não
inventaram símbolos novos para representar os números; usaram as próprias
letras do alfabeto, I V X L C D M. O sistema de numeração romano baseava-se em
sete números-chave: I tinha o valor 1. V valia 5. X representava 10 unidades. L
indicava 50 unidades. C valia 100. D valia 500. M valia 1.000.
Duarte (2010) acrescenta também que a
Índia contribuiu fortemente à Matemática, diferentemente dos chineses, os
indianos atribuíram um símbolo para o número zero, grande feito, que
revolucionaria toda a Matemática e Oliveira (s.d) completa dizendo que isto
causou uma verdadeira revolução na "arte de calcular". Os símbolos –
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 – ficaram conhecidos como a notação de al-Khowarizmi, de
onde se originou o termo latino algorismus. Daí o nome algarismo. São estes
números criados pelos matemáticos da Índia e divulgados para outros povos pelo
árabe al-Khowarizmi que constituem o nosso sistema de numeração decimal
conhecidos como algarismo indo-arábicos.Com o sistema de numeração hindu ficou
fácil escrever qualquer número, por maior que ele fosse.
Com a praticidade e o crescimento da
matemática ao longo dos anos, Duarte (2010) evidencia que o século XVII foi de
grande intensidade intelectual, com várias teorias desenvolvidas,
especificamente em matemática. Com a Revolução Francesa, percebeu-se o lado
prático da Matemática, que com tal desenvolvimento da Matemática à época, era
possível criar armas de guerra cada vez mais potentes, e que para isso
precisava-se de matemáticos. Na segunda metade do século XX pensava-se, então,
em estruturas que servissem de base para toda a Matemática. A matemática aos
poucos vai se desenvolvendo, mais e mais.
ALFABETIZAÇÃO, LETRAMENTO E NUMERAMENTO
A partir da regulamentação da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional 9394/96 (LDB), com a implementação dos “ciclos básicos de
alfabetização”, a concepção de alfabetização passou a ser reconhecida pelos
sistemas de ensino e pelas escolas como insuficiente, pois era compreendida
apenas como a aprendizagem mecânica de ler e escrever que se pretendia realizar
em apenas um ano de escolaridade, nas chamadas classes de alfabetização.
Entendiam que além de aprender a ler e escrever, a criança deveria aprender a
dominar as praticas sociais de leitura e de escrita.
Partindo desse entendimento, o
conceito de alfabetização é ampliado decorrente do fato de que as sociedades
estão cada vez mais focadas na escrita e ser alfabetizado – isto é, saber ler e
escrever – tem se revelado insuficiente para atender as demandas contemporâneas.
Não basta apropriar-se do código escrito, é preciso fazer uso da leitura e da
escrita no cotidiano, apoderar-se da função social dessas duas praticas: é
preciso letrar-se.
Esse entendimento pode se confirmar
na fala de Meira e Silveira (2011, p. 7) quando dizem que “o processo de
leitura exige, além da decodificação de seus signos, a compreensão e
interpretação, que acontecem por meio do contexto e da cultura onde o sujeito
está inserido”.
A escrita, por sua vez, é entendida
pelas autoras (apud Teberosky e Tolchinsky, 2011, p. 4) como um sistema de
notação, onde segmentos são combinados e complementados por sinais de
acentuação que formam palavras e/ou imagens que estando inseridas num contexto
nomeiam seres, objetos e etc.
Corroborando a ideia de que a
alfabetização, por si só, não é suficiente para a aprendizagem da leitura e da
escrita, as referidas autoras (apud Tfouni, 2011, p. 5) colocam que
“Alfabetização enquadra-se como as primeiras manifestações do reconhecimento
dos símbolos linguísticos e parece estar ligada a termos mecânicos e
funcionais, reduzido a habilidades funcionais”.
Por outro lado, ratificando a
afirmação de que é preciso apropriar-se da função social da leitura e da
escrita por meio do letramento, Círiaco e Souza (apud Soares (2011, p.44)
conceitua o letramento como sendo o “estado ou condição dos indivíduos ou
determinados grupos sociais que exercem por sua vez, efetivamente, as práticas
de leitura e escrita socialmente”. Portanto, o letramento surge para distinguir
de um lado a aquisição do código de registro da escrita da língua e do outro o
uso da escrita e leitura em práticas sociais, a primeira refere-se a
Alfabetização e a outra ao Letramento
Com a gama de informações que
permeiam a sociedade, o letramento começa à partir do momento em que as
crianças nascem, rodeadas de material escrito e de pessoas que usam a leitura e
a escrita, elas, desde cedo, vão conhecendo e reconhecendo as praticas de
leitura e de escrita em todos os seus contextos.
De acordo com Toledo (2004), desde a
infância, as crianças já trazem consigo concepções de leitura e escrita, assim
como as numéricas. No entendimento do autor o letramento não avalia só a
leitura e escrita, mas também as habilidades matemáticas. Segundo Soares
(2003), em função das demandas sociais, verificou-se o surgimento de um novo
fenômeno, o Numeramento, que chegou ao Brasil em meados da década de 80.
Ciriaco e Souza (2011) acrescentam ainda, que a escolha pelo uso
do termo Numeramento teve sua origem na área dos
estudos do Letramento. Segundo os autores, o “Numeramento tem suas raízes do inglês: numeracy, que foi
traduzido para o Brasil como Alfabetização Matemática, este usado normalmente
quando nos referimos a processos de escolarização”. Esclarece ainda, queda
mesma forma que a escrita e a leitura, existe uma série de conhecimentos e
competências necessários para a compreensão de diversas situações numéricas,
“as quais não representam mera decodificação dos números, mas, além disso,
envolvem a compreensão de diversos tipos de relações ligadas ao contexto social
em que tais situações se fazem presentes”.
Para que o letramento, ou seja, o
numeramento ocorra, tanto em língua natural quanto em linguagem matemática,
faz-se necessário pensar que esse processo se dá a partir da construção de
signos regidos por regras matemáticas e a compreensão desses signos constitui-se
em um sistema pelo qual os estudantes se sirvam para acontecer sua
aprendizagem.
Nesse sentido, para Barbosa (2010, p.
35) ser Numerado é:
Compreender,
e aplicar os conhecimentos da leitura, escrita e habilidades matemáticas na
resolução de problemas e raciocínio lógico na sociedade; tais como: interpretar
gráficos, tabelas, porcentagens, estimativas, estatísticas, ler e compreender
uma conta de telefone, luz, água, e outros relacionados ao uso social. Também é
acompanhar as mudanças sociais e fazer com que o sujeito passa a ser visto com
um cidadão atuante na construção do seu próprio saber tendo a consciência de
não só aplicar a matemática no seu cotidiano, mas como usá-la criticamente.
Com isso, pode-se observar que
aprender uma linguagem não é aprender uma serie de regras, e sim adquirir um
grau de competência comunicativa que permita usar tal linguagem, adequadamente,
quando requerida. Tanto no Letramento quanto no Numeramento, essa linguagem
deve ser trabalhada de forma a levar o indivíduo a compreender e a interpretar
as informações a ele apresentadas, levando em consideração o contexto e a
cultura onde o sujeito está inserido.
A MATEMÁTICA NO PROCESSO DE LEITURA E ESCRITA
De acordo com o Parâmetro Curricular Nacional de matemática (BRASIL,
1997), estar alfabetizado, consiste em saber ler, compreender, interpretar,
formular, resolver e analisar problemas, uma vez que estamos rodeados de
informações matemáticas (tabelas, gráficos, mapas, calendários, etc.). Segundo
o documento, isso é uma tarefa de conhecimento importante, que proporciona a
construção de capacidades intelectuais e aumenta o raciocínio lógico dos
alunos.
Por
sua vez, os Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil
(Brasil, 1998) em seu eixo temático Matemática, compreende que a matemática
favorece a exposição e a escuta de ideias próprias e as dos outros, a formular
e comunicar procedimentos de resolução de problemas, a confrontar, argumentar e
procurar validar seu ponto de vista, a antecipar resultados de experiências não
realizadas, aceitar erros, buscar dados que faltam para resolver problemas,
entre outras coisas.
Com isso, as crianças poderão tomar
decisões, agindo como produtoras de conhecimento e não apenas executoras de
instruções, podendo o trabalho com a Matemática contribuir para a formação de
cidadãos autônomos, capazes de pensar por conta própria, sabendo resolver
problemas.
A resolução de problemas é um
componente importante não só para a matemática, mas também para o processo de
leitura e escrita, o que se pode observar em Oliveira (s.d, p.421) quando diz
que:
A
resolução de problemas, quando apresenta temas motivadores e próximos à
realidade do aluno, abre espaço para a elaboração de diferentes procedimentos,
comparação de resultados, estruturação do pensamento, entre outras habilidades,
que valorizam o processo de resolução e não somente as respostas corretas. Além
disso, os problemas poderiam auxiliar diretamente o processo de letramento,
afinal, envolvem elementos pouco aproveitados como a escrita, a leitura, a
criatividade e a comunicação.
No que diz respeito a leitura e a
escrita tanto na linguagem matemática, quanto na Língua Materna, um sistema de
símbolos específicos é desenvolvido para expressão das ideias. Segundo Machado
(1998, p. 9) “há a possibilidade de ensinar a Língua Materna a partir de uma
mediação intrínseca com a Matemática”. Azevedo e Rowel (2007) por sua vez, referenciam que a
resolução de um problema utilizado como recurso pedagógico é capaz de tornar o
ensino da língua portuguesa escrita mais eficaz.
Smolle e Diniz, (2001, p. 70),
defendem que todas as disciplinas devem proporcionar ao indivíduo a aquisição
da capacidade de interpretação de textos, relacionando a linguagem com os
símbolos, pois,
Compreender um texto é uma tarefa difícil, que envolve
interpretação, decodificação, análise, síntese, seleção, antecipação e
autocorreção. Quanto maior a compreensão do texto, mais o leitor poderá
aprender a partir do que lê. Se há uma intenção de que o aluno aprenda através
da leitura, não basta simplesmente pedir para que ele leia, nem é suficiente
relegar a leitura às aulas de língua materna; torna-se imprescindível que todas
as áreas do conhecimento tomem para si a tarefa de formar o leitor.
Diante disso, pode-se constatar que
linguagem matemática e linguagem natural estão presentes em qualquer área do
conhecimento, constituindo condições, possibilidades de resolução de problemas,
com seus instrumentos próprios de expressão e comunicação. Conforme Menezes
(2009, p. 4) “a linguagem matemática é híbrida, pois resulta do cruzamento da
Matemática com uma linguagem natural, no nosso caso, o Português”.
A MATEMÁTICA E A
LITERATURA INFANTIL
A literatura infantil só se tornou possível a partir do
nascimento da infância como instituição, isso, o inicio da Idade Moderna. Na
Europa os contos populares foram transformados para uma visão educativa
burguesa. Incialmente não se dirigia as crianças, os contos de fadas eram
aproveitados pela classe burguesa para propagar modelos de comportamento.
Segundo Paço (2009) como a criança
era vista como um adulto em miniatura, os primeiros textos infantis resultaram
de adaptações ou da minimização de textos escritos para os adultos. Com a nova
concepção de infância que estava se constituindo, fez-se necessários novos
mecanismos para “equipar” e “preparar” a criança para enfrentar mais tarde o
meio social. A escola tornou-se, então, uma instituição legalmente aberta, não
só para a burguesia, mas para todos os segmentos da sociedade e a literatura
infantil, vem então, validar esse processo de escolarização.
Conforme Cunha (1999, p. 23) “No
Brasil, a literatura infantil tem início com obras pedagógicas e, sobretudo
adaptações de obras de produções portuguesas, demonstrando a dependência típica
das colônias”. Porém, somente no final do século XIX é que se dá o surgimento
dos primeiros livros para crianças escritos e publicados por brasileiros; mas é
com Monteiro Lobato que tem início a verdadeira literatura infantil brasileira.
A literatura infantil, com sua
linguagem singular, apresenta-se como mediadora entre a criança e o mundo,
proporcionando uma ampliação no seu domínio linguístico e preenchendo o espaço
do fictício, da fantasia, da aquisição do saber, permitindo transpor as
fronteiras do imaginário.
Porém,
na maioria das vezes as histórias infantis são utilizadas para se trabalhar a
linguagem oral e escrita das crianças, alfabetizando-as, desenvolvendo o gosto
e o prazer pela leitura e a escrita de textos. As produções literárias são
vistas por poucos como contexto possível para se trabalhar conceitos matemáticos,
não sabendo que, as histórias podem oferecer aspectos bastante oportunos para a
apresentação de conceitos matemáticos às crianças.
Partindo dessa premissa, Souza e
Oliveira (2010, p.9) evidenciam que:
A
articulação entre matemática e literatura infantil possibilita a criação de
situações de ensino que permitem explorar as relações existentes entre a língua
materna e a matemática. O sujeito inicia a apropriação da língua materna e da
matemática antes do período de escolarização, porém esses dois sistemas não são
encontrados de forma dissociada, isto é, são dimensões interligadas.
Então, Matemática e Literatura,
porque não? Essa é uma pergunta que vários autores defendem como sendo possível
tanto para o aprendizado da matemática quanto para a leitura e escrita. Com a
literatura os alunos podem se envolver na produção de histórias que tenham a
matemática e ao mesmo tempo oportunizar a eles a habilidade para escreverem,
pensarem e falarem sobre o vocabulário matemático (formal/coloquial), além de desenvolverem
habilidades de formulação e resolução de problemas, enquanto constroem
conceitos matemáticos.
Essa junção contribui para a formação
de alunos leitores que se apropriam da leitura como prática social, capazes de
utilizar os elementos necessários para compreender um texto; para o
conhecimento da linguagem, conceitos e ideias matemáticas, além da utilização
de diferentes estratégias para resolver problemas — elaborando e testando
hipóteses — e relacionar suas experiências ao saber matemático.
Silva (2003) enfatiza que é preciso
que a compreensão do texto literário seja valorizado e incentivado pelo
professor, estabelecendo relações entre língua materna e linguagem matemática.
Dessa forma, a utilização da literatura não será simplesmente um ponto de
partida, mas sim uma conexão real com outras áreas do conhecimento.
Os estudos apontam que utilizar a
metodologia que aborde a matemática e literatura é uma alternativa repleta de
possibilidades, dente elas, trabalhar com a resolução de problemas que é
apontado por Souza e Oliveira (apud Kliman e Richards, 1992) como uma
possibilidade dos alunos criarem suas próprias “histórias matemáticas” sobre
situações que lhes são familiares e envolvem um problema a ser resolvido por
ideias matemáticas. Dados importantes podem ser encontrados nas próprias
histórias para que a solução desses problemas seja achada. É importante
instigar as crianças a explorar e a formular problemas para que sejam
resolvidos por elas e pelos colegas no intuito de que elas debatam, dialoguem,
critiquem e criem diversas estratégias de solução.
Conforme as autoras (apud
Welchman-Tischer,1992) existem várias formas de usar a literatura para ensinar
matemática, são elas: a criação de um contexto para o desenvolvimento de
atividades que trabalhem conceitos matemáticos; a introdução de materiais
manipuláveis que depois podem ser utilizados de várias formas, sem envolver uma
história; apresentar as crianças experiências matemáticas criativas, trabalhar
com problemas organizando um espaço próprio; apresentar aos alunos noções de um
conceito ou habilidade matemática, a princípio sem o formalismo desse
conhecimento para, posteriormente, desenvolver, explicar e/ou rever esses
conceitos ou habilidades matemáticas.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Durante a leitura dos documentos e escrita do referido artigo,
pode-se compreender que tanto a linguagem matemática, quanto a Língua Materna
são fundamentais e inseparáveis na interpretação e representação da realidade,
mesmo sendo representadas por um sistema de símbolos específicos, as ideias por
elas simbolizadas mostra a dependência recíproca entre elas.
Entretanto, para que essa
reciprocidade aconteça de fato, é preciso compreender o significado de
alfabetização, letramento e numeramento; conceitos esses, que apesar de terem
significados distintos, se complementam durante o processo de aquisição da
leitura e escrita. Sabe-se que alfabetizar é uma tarefa árdua, tanto na língua
materna quanto na linguagem matemática, porém é preciso observar que aprender uma
linguagem não é aprender uma serie de regras, e sim adquirir um grau de
competência comunicativa que permita usar tal linguagem, adequadamente, quando
requerida.
Tanto
no Letramento quanto no Numeramento, essa linguagem deve ser trabalhada de
forma a levar o indivíduo a compreender e a interpretar as informações a ele
apresentadas, levando em consideração o contexto e a cultura onde o sujeito
está inserido.
Um recurso interessante para tornar
esse processo mais prazeroso e eficaz é o uso da literatura infantil para
ensinar a língua materna e a matemática. Pode-se constatar que a associação do
ensino da matemática à literatura torna possível a criação de situações em sala
de aula que estimula a compreensão dos alunos ao que está sendo estudado, além
de proporcionar a familiarização com a linguagem matemática contida nos textos
de literatura infantil que favorece ao aluno a capacidade de estabelecer
relações cognitivas entre a linguagem materna, conceitos da vida real e a
linguagem da matemática formal.
Espero que esse trabalho contribua
para a produção de outros artigos relacionados a parceria da matemática com a
literatura infantil no processo de alfabetização, bem como, oportunizar a
comunidade escolar uma possibilidade para ensinar e aprender a ler, escrever e
“contar” de forma mais prazerosa e dinâmica. Com isso, atender as necessidades
do aluno, em todos os seus aspectos, preparando-o para o exercício de sua
cidadania.
Autora:
Sandra de Amorim Salgado
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